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Por que não existe crítica construtiva

Sinceramente, eu, Ethel Peternelli, não gosto das falas sobre “críticas construtivas” e “críticas destrutivas”. No meu mundo, critica é crítica. Todas as críticas são dolorosas de receber. Porém, o que eu faço com elas é que poderá ser construtiva ou destrutiva.

Acredito que aprendemos desde de cedo que critica é algo ruim, mas afinal o que é crítica?

Fica comigo até o final que hoje quero muito falar sobre:

  • O que significa a palavra CRÍTICA?
  • O que não é crítica.
  • Por que dói receber críticas?
  • Existe crítica construtiva?

O que significa a palavra CRÍTICA?

Crítica vem do grego ckritike, que quer dizer “apreciação minuciosa”. Possui três sentidos principais:

  1. capacidade para julgar, discernir e decidir corretamente;
  2. exame racional de todas as coisas sem preconceitos e sem pré-julgamento;
  3. atividade de examinar a avaliar detalhadamente uma ideia, um valor, um costume, um comportamento, uma obra.

Encontramos também uma classificação para a crítica, em dois tipos: destrutiva e construtiva.

E o que seriam esses dois tipos de críticas? Críticas destrutivas são aquelas que associamos a algo negativo; e chamamos de crítica construtiva as que têm como objetivo, encorajar a pessoa a melhorar, reforçar e desenvolver aptidões.

Bem, com o conceito do que é a crítica, descrito acima, eu prefiro ver que critica é crítica e essa classificação “construtiva” e “destrutiva” eu acredito que deveria ser abolida.

Eu, decididamente, não gosto desses dois conceitos antagônicos, porém respeito.  Eu acredito na força das devolutivas, termo que irei explicar melhor quando eu abordar sobre: “Existe crítica construtiva? ”.

O que não é crítica?

Dizer que quer ajudar alguém apontando o que ela tem a melhorar. Isso para mim é perigoso e pode, na verdade, humilhar a pessoa.

Não podemos negar que muitas vezes criticamos as pessoas sem qualquer intenção construtiva. Por alguma razão, existem pessoas que projetam a sua negatividade e as suas inseguranças apontando o que os outros fazem ou deixam de fazer, dizem ou deixam de dizer, através das críticas. São pessoas que se dedicam a transmitir e disseminar o que acreditam que são defeitos e maus exemplos de comportamento.

“As críticas não são outra coisa que orgulho dissimulado. Uma alma sincera para consigo mesma nunca se rebaixará à crítica. A crítica é o câncer do coração.

Madre Teresa de Calcutá

Por que dói receber críticas?

Nós, humanos, temos várias necessidades. Eu diria que as necessidades básicas são: ser amado, ser reconhecido, fazer parte e sobreviver. Quando algumas dessas necessidades não são atendidas, um dos sentimentos que temos é o da rejeição, que é muito doloroso de sentir.

A crítica é sempre um gatilho que nos faz sentir não amados, não fazendo parte, excluídos e rejeitados. Por isso toda crítica é dolorosa!

Podemos observar que um dos comportamentos mais exercitados na vida de qualquer pessoa é a autocrítica e ou a crítica. Infelizmente cultivamos o hábito de apontar erros, enxergar falhas, descobrir defeitos.

Para ser realista, a crítica nunca é bem recebida e nunca é bem aceita, porque é da natureza humana querer se sentir-se digno de amor e aceitação, o que nos faz, instintivamente, rebater e discordar, na maioria das vezes, da opinião do outro.

Eu diria que também é da nossa natureza a autodefesa. Com isso, parece que o melhor caminho é acreditarmos que a nossa opinião sempre é a mais certa.

Na minha opinião toda crítica irá doer! Essa dor piora dependendo de quem está nos criticando e a tônica que está sendo utilizada. Além disso, existem momentos e lugares certos para se fazer uma crítica.

Porém, acredito que deveríamos usar o momento de recebermos uma crítica para auto avaliar e aprender. Momento para tirar nossas armaduras e evitar a vitimização. Confesso que, na prática, isso é bem desafiador.

Existe crítica construtiva?

Eu quero deixar bem claro aqui que em algum momento da minha vida descobri que não existe essa tal “crítica construtiva”. Pare e lembre-se da última vez que você foi criticado! Quais foram os sentimentos despertados em você? Todas as críticas têm um caráter destrutivo, poderoso e único.

Então, toda crítica, da maneira como conhecemos, é destrutiva. Eu, verdadeiramente, sempre que tenho oportunidade, sugiro a trocada expressão “crítica construtiva” por outra que represente melhor o significado oculto do que, em teoria, se pretende: ensinar, questionar, examinar, avaliar ou qualquer coisa que esteja de fato ligado à criação, construção.

Verdadeiramente, as pessoas que criticam não querem ensinar ou construir nada. Querem causar mal-estar alheio e alimentar seu próprio ego, pois o tom de uma crítica é sempre negativo, destrutivo.

E isso pode ser feito de maneira consciente ou não. Em caso contrário, não teríamos sempre que avisar ao outro que “faremos uma crítica construtiva”. É como dizer: “vou falar mal de você, vai ser chato, mas não fique magoado comigo. É para o seu bem”. Affff !!!!!!….

Eu preciso lhe dizer que sou crítica. Porém, a vida tem me ensinado muito e, com isso, eu tenho buscado mudar a forma de como devo falar com as pessoas. Essa tal “Crítica construtiva” se tornou para mim “questionamento”, de forma que, no lugar de apontar um suposto erro, eu questiono “como aquilo poderia ser feito de outra forma”.

Eu tenho aprendido ainda que quando preciso emitir uma opinião, deixo claro que se trata de minha opinião, nada mais. Costumo até pedir permissão para falar ou perguntar e ainda digo: “no meu mundo …”. Quem nos escuta tem o direito de gostar, ou não. No entanto, jamais devemos questionar uma opinião. É como aquele ditado popular: “gosto, cada um tem o seu”.

Como coach e também uma apaixonada por estudar comportamento humano, vejo que as pessoas se comportam melhor quando são levadas a repensar seus atos, através de um questionamento. Eu uso muito o termo “devolutivas” que são perguntas que devolvemos às pessoas após uma colocação ou atitude.

Por exemplo: se alguém chega até você e reclama de um familiar ou amigo em comum ou colega de trabalho. Ao invés de criticar a atitude ou contribuir para falar mais mal, você dará uma devolutiva: “Você já pensou que isso tudo pode ser um grande mal-entendido e que na verdade essa pessoa pode estar passando por algum problema? Já tentou conversar com ele? ”

Você ficará impressionado com o poder de transformação das devolutivas. Vera que, com o passar do tempo, criamos o hábito de nos questionarmos antes de agir. Afinal, a maior transformação vem de nós mesmos! E que jeito melhor do que promover o uso da razão, no lugar de desmotivar o próximo?

Uma vez aprendido o questionamento, acredito ser importante mencionar o reforço positivo, ou, simplesmente, o famoso elogio sincero. Não podemos negar que vivemos em uma sociedade que adora apontar e criticar, cobrar resultados e punir quando estes não chegam. No entanto, os elogios são raros, pois os acertos são vistos como nada além da obrigação. E o que isso traz? Pessoas desmotivadas, que produzem só o necessário. Afinal, qual o incentivo de ir além?

Adoro uma cena no filme da Disney, “Bambi”, quando uma família de coelhos vai visitar o recém-nascido Bambi. O coelhinho, Tambor, pergunta ao novo filhotinho qual é o nome dele. E ao ouvir a resposta, ele dá uma risada e faz um comentário crítico, como se esse nome, Bambi, fosse esquisito. Imediatamente a mãe-coelha diz: Tambor se você não tem nada de bom para dizer, não diga nada!

O elogio sincero é tudo!!!! Não tenha medo de elogiar um bom desempenho, ou mesmo recompensá-lo. Seja no ambiente familiar, social ou de trabalho. O reforço positivo tem um poder enorme de fazer as pessoas irem além do comum.

O ser humano precisa de motivos para agir (motivação), ser amado e também de reconhecimento. Mesmo que o desempenho de quem está ao seu lado seja apenas o esperado, reconheça e elogie.

“Elogie em público e corrija em particular. Um líder corrige sem ofender e orienta sem humilhar”

Mário Sérgio Cortella

Adorei escrever esse artigo, pois lido todos os dias com pessoas “mutiladas” emocionalmente por causa das críticas que recebem. Antes de terminar eu preciso também mencionar algo sobre os críticos, aquelas pessoas que se acham no direito de falar o que pensam. Milhares ou milhões de pessoas são influenciadas a não exercerem seu direito de decidir sobre o que gostam, pois há muitos idiotas com poder para persuadi-las.

Eu tenho aprendido todos os dias que nós jamais saberemos quão bom ou ruim é algo até experimentarmos. Mas não pense que poderá experimentar qualquer coisa. Sua ética, amor pela vida e sabedoria farão você não experimentar algo pelo fato de saber, intimamente, que aquilo é ruim de fato.O melhor juiz para nossas vidas somos nós mesmos e o melhor júri, as experiências que vivemos, e suas consequências.

Finalizando, leiam com atenção um trecho do texto, Anton Ego, personagem de Ratatouille, sobre críticas:

“De certa forma, o trabalho de um crítico é fácil. Nos arriscamos pouco e temos prazer em avaliar, com superioridade, os que nos submetem seu trabalho e reputação. Ganhamos fama com críticas negativas, que são divertidas de escrever e ler. Mas a dura realidade que nós críticos devemos encarar é que, no quadro geral, a mais simples porcaria talvez seja mais significativa do que a nossa melhor crítica. ”

E se você sofre muitas críticas, e se me permitir eu gostaria de deixar uma dica prática para você que se identificou com esse meu artigo.

Pratique: “ISSO NÃO É PESSOAL!!!!!” Sempre pense assim e, se for necessário, repita mil vezes ou quantas vezes for necessário. Dessa forma é menos provável que você se feche, atue impulsivamente ou parta para o contra-ataque. Você permanecerá fiel a seus valores enquanto tenta resolver o problema.

Fez sentido?

Lembre-se você é muito importante para mim.